sexta-feira, 27 de junho de 2025

“As sete Marias que matavam franceses” – Domingos Amaral

 


Mais um excelente livro de Domingos Amaral. Desta vez vamos às invasões Napoleónicas no nosso Portugal e do destemor histórico das mulheres portuguesas que avançam em defesa do que é seu com o que tiverem à mão. E não é lenda, é real muitas mulheres entraram na história por correr com os invasores, tal como a padeira de Aljubarrota. Até eu hoje, inspirada, encarnei uma “Maria” a correr com javalis do meu terreno. ;)

A escrita do autor nunca me desilude, tem o ritmo certo para a narrativa, é apelativa, simples sem ser simplista e os personagens são muito bem desenvolvidos. A base histórica para um romance de ficção é sempre muito enriquecedora. Tornou-se um daqueles autores que consumo apenas pelo seu nome na capa.

Triângulo - Pedro Garcia Rosado

 


Com o “Triângulo” termino a trilogia “Não matarás” de Pedro Garcia Rosado

Acompanhamos desta vez o inspetor Joel nos meandros da prostituição de luxo patrocinada e encoberta pelas mais altas esferas governamentais, entrosada com a pedofilia normalizada dentro de instituições religiosas. Teve um tempero de processo “casa Pia” que culmina na resolução do caso que inicialmente conduziu o inspetor a escolher esta profissão. Uma história dentro das histórias que constitui uma linha condutora ao longo da trilogia e que no último livro obtém a sua conclusão.

Gosto muito deste género de thriller/policial que nos confronta com problemas sociais, reais e atuais com os quais somos frequentemente confrontados nos noticiários.

Mais um autor nacional a manter “debaixo de olho”.

sábado, 21 de junho de 2025

A Cor do Hibisco - Chimamanda Ngozi Adichie

 


Que livro extraordinário, vai direitinho para o Top. Esta escritora Nigeriana leva-nos às profundezas sociais da Nigéria pelos olhos de Kimbili uma menina de 15 anos, de uma classe social privilegiada, mas numa família muito repressiva.

O que mais me chamou atenção neste livro foi a polaridade extrema quase irracional que existe constantemente durante a narrativa, enquanto alguns personagens em contraste mostram-nos o ponto de equilíbrio. A diferença entre ser simplesmente católico e ser fundamentalista religioso, usando as crenças como motivo de segregação. Sim porque na religião católica também existe fundamentalismo e é tão brutal como todos os outros. A dualidade: rico/pobre; tolerante/intolerante; fachada/realidade; amor/desamor são facetas muito bem exploradas ao longo do livro. Kimbili ao longo das suas vivências vai descobrindo os dois extremos conforme vai sendo apresentada ao outro lado.

Todos os ingredientes estão lá, um livro rico em conteúdo com uma escrita de excelência.

Recomendadíssimo!

terça-feira, 17 de junho de 2025

“Vermelho da cor do sangue” - Pedro Garcia Rosado

 


O meu segundo livro deste autor e também o segundo volume da trilogia “Não Matarás”.

Mais um excelente policial que explora as ligações entre portugueses e mercenários do leste europeu com ligações à antiga URSS iniciados no pós-revolução. Tudo começa com homicídio, um roubo de um cofre em casa de um banqueiro e também de um passaporte em nome de um russo desaparecido em Portugal em 1975. O inspector Joel vai por causa do homicídio mas vê-se envolvido num esquema fraudulento de associações criminosas. E claro, em simultâneo mais umas pistas para uma morte que se tornou o motivo primeiro que o levou a abraçar esta profissão.
Não sei identificar a razão por que este livro me custou um pouco mais a ler, talvez por ser tão enredado que por vezes me perdia ou pela quantidade de personagens com nomes russos que acabavam por me baralhar. Graças aos santos e ao autor, tem no início um índice de personagens que foi muito útil. Não foi por isso que deixei de gostar, mas não posso negar que apreciei mais o anterior “A cidade do medo”. Gosto de livros que arrancam com base em eventos históricos e se desenvolvem como consequência do mesmo.
E que venha o próximo.

O Bairro da Estrela Polar – Francisco Moita Flores

 


Todos conhecemos um bairro daqueles em que ninguém lá entra que são um gueto dentro das cidades. O Império degradado e degradante de bandidos e traficantes. É exactamente um destes bairros que somos convidados a conhecer neste livro. Quem são os que lá vivem? Porque fazem o que fazem? Como chegaram a este ponto? Ao longo da narrativa obtemos respostas para estas questões e é assim que nos tornamos “amigos” dos bandidos, sentimos empatia quando conhecemos os seus percursos de vida.

É tudo boa gente que nasceu no sítio errado, há hora errada. Vidas onde tudo vale para sobreviver aos desaires com que o destino os presenteou, gente largada à sua sorte por vezes desde a infância sem metas nem esperança. Os valores invertidos, a desvalorização da própria vida, a banalização da violência, são alguns dos temas abordados. São reais, inegáveis e levados aos extremos quando concentrados nestes bairros.

Além de uma escrita muito rica e fluida, o autor mostra grande conhecimento de causa: O calão, as alcunhas, os procedimentos, as fragilidades escondidas por baixo da armadura.

Vale a pena esta viagem ao bairro.

sábado, 14 de junho de 2025

O Segredo de Tomar – Rui Miguel Pinto



 Mais uma estreia nacional, desta vez uma ficção histórica. Mais uma promessa para a literatura portuguesa que na minha opinião ainda tem espaço para se desenvolver.
Logo me interessei por este livro por várias razões: Tomar aqui a minha cidade vizinha que conheço tão bem e frequento regularmente; Templários, um tema que me desperta curiosidade; ficção histórica, um dos meus géneros favoritos; Um novo autor, pois sou muito curiosa sobre as novidades literárias made in Portugal.
Um livro bem escrito, sem grandes floreados literários mas sem ser simplista que facilita a fluidez na leitura. Um excelente enquadramento histórico onde se nota uma enorme pesquisa e conhecimento do local. Todos os ingredientes reunidos para dar certo.
Porém, fui beliscada por alguns detalhes do próprio enredo. Não sei muito bem como explicar isto sem deixar spoilers. Encontrei alguns pontos que me provocaram um Ohhh:
- A referida ordem cuja missão seria guardar o segredo são apresentados como um gang de criminosos e malfeitores sem qualquer tipo de decência moral que tal como a sua missão, seria parte fundamental da sua própria existência e a meu ver foi algo mais chocante do que o próprio segredo. Mas rezam e fazem sinais da cruz e tal, não me fez muito sentido. Era uma fé morta? Só para Inglês ver?
- Segundo o livro, o legado de guardar o segredo era deixado sempre de pais para filhos. Como? Se a ordem era celibatária? Naturalmente poderiam saltar a cerca, mas não aperfilhar o resultado do pecado. Eu sei…é ficção. Mas para mim tem de haver congruência com os factos históricos.
- Finalmente, o segredo revelado pareceu-me pouco para tanto alvoroço, nada que alterasse o curso da humanidade. E afinal até haviam outros caminhos, debaixo do nariz, para lá chegar. Pelos visto nada daquilo seria necessário.
Bem isto foi o melhor que consegui sem entrar em grandes detalhes e revelar a história. Note-se que é apenas a minha opinião pessoal e expectativas quando leio ficção histórica.
Não é por isso que o livro se torna desinteressante. Recomendo, vale a pena a leitura e seria interessante conhecer outros pontos de vista.
Termino com outra recomendação: O livro refere um restaurante tomarense “Taverna Antiqua” se forem lá, provem a sopa de castanhas com cogumelos. Uma delícia!
Temos autor, aguardo pelo próximo.

O cemitério dos eternos prazeres - Domingos Amaral

 


Há um vivo moribundo que em breve necessita de um lugar no jazigo de família. Mas a lotação está esgotada. Quem fica? Quem sai? É a resposta a estas questões que nos leva pelas aventuras e desventuras da família Boa Morte.

Enquanto nos são revelados os segredos familiares em conversas entre vivos e mortos, fazemos uma revisão da história de Portugal deste os finais do séc.19.
O livro está muito bem escrito, os personagens soberbos e o enredo é de uma enorme criatividade. O que eu me ri durante a leitura! Aos mais sensíveis deixo o aviso que em certos momentos a linguagem não é a mais polida, mas a meu ver, está perfeitamente enquadrada, não é forçada e sai naturalmente.
Foi o segundo livro que li deste autor, o anterior “Quando Lisboa tremeu” também adorei, começa a tornar-se uma das minhas referências de leitura.
Recomendo.

Morte nas caves – Lourenço Seruya


 

Mais uma investigação do inspector Bruno Saraiva, desta vez um assassinato nas caves de vinho do Porto. E mais não conto para manter a curiosidade.

Como já é habitual a escrita fluida e o terminar capítulos à beira da revelação de mais respostas cruciais torna a leitura viciante. Queremos sempre saber mais um bocadinho e por causa do Lourenço a noite passada só fui dormir depois das 3h da madrugada. Obrigada amigo, hoje estou feita em papa e a culpa é toda tua! ;)

Mas neste livro, fiquei com a sensação de ficar com “pontas soltas”, de haver mais história para contar, por exemplo: A influência do David sobre a Constança pareceu-me algo fraca, o Marco teria mais a dizer, bem como o casal Mónica/Anabela. Se o David estivesse no papel (fora de serviço) do Marco parece-me que seria mais convincente a sua influência sobre patroa. Parece-me que o livro não ficou “fechado”, mas pode ser por já haver algo na manga para o próximo.

Não posso dizer que foi o meu favorito, no top ainda está “A Maldição”, mas aguardo ansiosamente por um próximo.

domingo, 1 de junho de 2025

A Cidade do Medo – Pedro Garcia Rosado

 


Mais uma estreia com um autor português, Pedro Garcia Rosado.

Um policial passado em Lisboa. Onde um serial killer do tipo Jack o Estripador lança uma onda de medo pelas ruas da capital. Quem será a próxima vítima? é a pergunta que ecoa na cabeça dos Lisboetas. Quem é o assassino e qual a sua motivação? São as respostas que o inspector Joel Franco tenta encontrar. E é ao acompanhar a sua busca por respostas que nos vemos envolvidos tanto na resolução do caso, bem como em situações de corrupção a nível governamental o que me transmitiu um toque de realidade e o pensamento de que “isto deve acontecer tantas vezes”.

Porém, ainda há uma questão maior, aquela que levou o inspector a escolher esta profissão e dedicar a sua vida à resolução de crimes, a qual creio que deve ser respondida ao longo da trilogia “Não Matarás”:

Volume I – A Cidade do Medo

Volume II – Vermelho da cor do sangue

Volume III – Triângulo

Um livro bem escrito que para a minha “língua de perguntadeira” é um gatilho para o devorar em pouco tempo. Mais uma boa surpresa na literatura nacional, em breve lerei os outros.

Fica a recomendação.

A Última Carta – Carlos Miguel Ferreira

  Agora sim, estamos lá! Este livro foi para mim “O salto do gato” do Carlos como autor. Já tinha notado alguma evolução ao longo do livro a...