terça-feira, 4 de março de 2025

O Segredo de Tomar – Rui Miguel Pinto

 


Mais uma estreia nacional, desta vez uma ficção histórica. Mais uma promessa para a literatura portuguesa que na minha opinião ainda tem espaço para se desenvolver.

Logo me interessei por este livro por várias razões: Tomar aqui a minha cidade vizinha que conheço tão bem e frequento regularmente; Templários, um tema que me desperta curiosidade; ficção histórica, um dos meus géneros favoritos; Um novo autor, pois sou muito curiosa sobre as novidades literárias made in Portugal.

Um livro bem escrito, sem grandes floreados literários mas sem ser simplista que facilita a fluidez na leitura. Um excelente enquadramento histórico onde se nota uma enorme pesquisa e conhecimento do local. Todos os ingredientes reunidos para dar certo.

Porém, fui beliscada por alguns detalhes do próprio enredo. Não sei muito bem como explicar isto sem deixar spoilers. Encontrei alguns pontos que me provocaram um Ohhh:

- A referida ordem cuja missão seria guardar o segredo são apresentados como um gang de criminosos e malfeitores sem qualquer tipo de decência moral que tal como a sua missão, seria parte fundamental da sua própria existência e a meu ver foi algo mais chocante do que o próprio segredo. Mas rezam e fazem sinais da cruz e tal, não me fez muito sentido. Era uma fé morta? Só para Inglês ver?

- Segundo o livro, o legado de guardar o segredo era deixado sempre de pais para filhos. Como? Se a ordem era celibatária? Naturalmente poderiam saltar a cerca, mas não aperfilhar o resultado do pecado. Eu sei…é ficção. Mas para mim tem de haver congruência com os factos históricos.

- Finalmente, o segredo revelado pareceu-me pouco para tanto alvoroço, nada que alterasse o curso da humanidade. E afinal até haviam outros caminhos, debaixo do nariz, para lá chegar. Pelos visto nada daquilo seria necessário.

Bem isto foi o melhor que consegui sem entrar em grandes detalhes e revelar a história. Note-se que é apenas a minha opinião pessoal e expectativas quando leio ficção histórica.

Não é por isso que o livro se torna desinteressante. Recomendo, vale a pena a leitura e seria interessante conhecer outros pontos de vista.

Termino com outra recomendação: O livro refere um restaurante tomarense “Taverna Antiqua” se forem lá, provem a sopa de castanhas com cogumelos. Uma delícia!

Temos autor, aguardo pelo próximo.

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