Segredo Mortal
O primeiro thriller do autor Bruno M Franco e também a minha
estreia com o autor.
A minha impressão é que começou bem e acabou mal. O início
foi empolgante e apontava para uma boa história de mistério e investigação bem
ao estilo de Hollywood que prendia a atenção, mas a certo momento descambou
para algo bastante forçado e repetitivo. A acção é constante, muito rápida,
algo está sempre a acontecer, na minha opinião até demais. Gostei das
circunstâncias criadas para que um personagem com uma vida estável e pacata de
repente se veja envolvido num enorme imbróglio e perseguido tanto por uma
organização criminosa como pela polícia e a partir daí vai percebendo que nada
na sua vida era o que parecia.
Não gostei dos inspectores, ele demasiado arrogante e machista,
ela o seu cãozinho fiel, sem voto na matéria desejosa de lhe saltar para a
espinha. Aliás em toda a narrativa nota-se um certo machismo, as mulheres reduzem-se
às suas curvas e fraquezas, os homens são machos viris e espadaúdos. Fiquei
arrepiada quando o inspector perante um cadáver todo mutilado faz uma
observação às maminhas empinadas da defunta, haja bom senso. Lá de vez em quando
aparece uma mulher mais dominatrix para quebrar esta impressão, mas parece
forçado. Para mim o personagem melhor engendrado foi o assassino.
O tal “Segredo Mortal” acabou por ser desvalorizado no final
da história e entramos num encobrimento por empatia ou simpatia pessoal, algo
que também não me agradou e ilustra o mau funcionamento das instituições, uns
são gregos, outros troianos. Eu despedia o inspector e aconselhava-o a abrir um
bar de alterne lá para aquelas ruas cujas moradas são repetidas exaustivamente
ao longo da história e para quem não as conhece torna-se uma seca.
A escrita é simples sem floreados o que facilita a leitura.
O conteúdo poderia dar tema para vários livros, mas tudo no mesmo pareceu-me
excessivo. Reconheço que um primeiro livro nunca é perfeito, como se lê bem e é
nacional ainda vou passar pelo segundo.

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