sábado, 23 de novembro de 2024

1984 de George Orwell

 


1984 de George Orwell

E se fosse assim? É a questão em que o autor nos desafia a refletir ao longo desta obra escrita em 1949. O problema é que agora, no ano 2024, muito do que este livro retrata apresenta semelhanças assustadoras com a realidade. É classificado como um romance distópico, ou seja, uma representação ou descrição, organizacional ou social, cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma "utopia negativa", tal como explica a weekipédia. Pensando bem, creio que o classificaria em vez disso, como um romance visionário. Sabendo que apenas pelo facto de “pensar” já sou uma ameaça para a autocracia descrita no livro e não só. Sou da “prole”, do grupo de hereges que vivem fora da regulamentação social imposta pelo partido e que de x em x tempo sofrem uma limpeza, são “vaporizados”.

O que se encontra nesta nova civilização?

- Autocracia. Todo gira à vontade de um único ser ou organização, o Grande Irmão. Familiar, não?

- O poder pelo poder, não pelo bem comum, eliminação da democracia. Quando Donald Trump afirma “Se eu ganhar, ninguém mais precisa de ir votar”. Check!

- Manipulação de massas pelo medo. Check!

- Imposição de ideias e ideologias pela força ou por deturpação dos factos. Lembram-se na altura da pandemia que se alguém questiona-se ou pusesse em causa o que era transmitido pelo governo era de imediato rotulado como “negacionista”, enxovalhado, castigado e renegado como pessoa de bem? Aqueles que no livro cometem o crime “duplopensar”. Curioso!

- Deturpação de factos, ocultação da realidade com o objetivo de conduzir o rebanho para determinada posição ideológica. Check!

- Alteração da linguagem falada e escrita, no livro chama-se “novafala”. Agora, linguagem neutra: amigues, todes, menine, velhe, etc. Check!

- Reescrever livros e documentos de acordo com a ideologia do partido. Pois já há livros propostos para serem reescritos e outros abolidos das bibliotecas: Agatha Cristie, Enid Blyton, alguém diz que têm linguagem desatualizada e ofensiva e estes são apenas dois exemplos. Check!

Verdade que ao longo da leitura fiz muitas mais associações, estas funcionam apenas como exemplos de algumas viagens que a minha mente fez ao longo desta leitura. Sem esquecer que até temos um programa chamado “Big Brother” com um telecrã e uma voz quase divina que manda naquilo tudo. Sem querer ser muito cáustica também tem absoluto poder sobre um bando de fracos pensadores que se voluntariam a participar no show.

Creio que este é um livro que todos deveriam ler e formar as suas opiniões pessoais. “Em terra de cegos quem tem olho é rei” e este é um excelente livro para evitar a cegueira.

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