Terminado “A Princesa e a Prostituta” de Sofia Anjos Morgado.
Inicialmente este livro chamou-me a atenção por ser vizinha da princesa, achei graça por conhecer os lugares. Li com facilidade, o enredo está bem pensado e leva a querer saber mais.
Não desgostei da escrita embora, na minha opinião, os personagens poderiam ser mais explorados, senti que ficaram na superfície com pouco aprofundamento emocional. Quanto à irmã gémea da princesa poderia ter um desempenho de maior relevo, nunca fiquei a perceber o que ela sentia em relação ao que se passava a seu redor, pareceu-me assim uma espécie de fantasma que circulava por ali. Também notei diversas cenas repetitivas, descritas de forma muito semelhantes e sem contributo para o desenvolvimento da história.
É verdade que o livro tem inúmeras incongruências que espero tenham sido propositadas de forma a criar uma certa distopia, claramente não deve ser considerado um romance histórico com os Reis de Portugal a viver num palácio no Rego da Murta. Na época não se aumentava o som da música, não existiam alfaiatas com “pronto-a-vestir” e muito menos com lingerie sexy, nem se dançava no varão, máquinas fotográficas com flash, canalizações com torneiras e sanitas, mesas com tampo de vidro nem princesas, dama e aias a beber vinho e fumar ganzas com os guardas e muito mais. Não foi algo que me aborrecesse pois não esperava um romance histórico mas sim uma fantasia, algumas até me fizeram rir. As próprias reações da princesa a situações parecem delirantes, uma síndrome de múltiplas personalidade ou apenas um reflexo da falta de aprofundamento da personagem, umas vezes é sim, outras é sopa, perante situações idênticas.
Lê-se bem, creio que ainda há um caminho para a autora aprimorar e evoluir, mas como primeiro livro (será o primeiro?) é uma leitura agradável.

Sem comentários:
Enviar um comentário