Antes de terminar o livro escrevi:
“Estou numa relação
amor/ódio com o João Tordo e o livro "O Luto de Elias Gro". Note-se
que ainda só vou a meio. Por um lado está excecionalmente bem escrito, por
outro é sempre mais do mesmo. Por um lado adoro o ambiente de ilhas pequenas,
faróis, ondas, comunidades pequenas quase tribais e uns estrageiros pelo meio,
fora do contexto. Por outro, aquele personagem sem nome que faz um retiro
alcoólico na ilha é a pessoa mais desinteressante do mundo. Ainda não percebi
porque o título é "O luto de Elias Gro" quando só se fala do luto
doentio do tal gajo sem nome. Há momentos que fico irritada com o livro e só me
apetece passar a outro e há momentos que não consigo parar de ler. De tal forma
que estou a ler dois livros ao mesmo tempo (coisa rara) para me ir desirritar
do João Tordo sempre que necessário.”
Depois de terminar não posso dizer que tenha gostado, tive
resposta a algumas questões que se levantaram durante a leitura e o tal sem nome irritou-me até ao fim. Dizem
que vai às profundezas da alma humana, não concordo. Isto não é a generalidade
talvez de algumas mais fracas, menos resilientes perante os contratempos da
vida, incapazes de reagirem à perda da atenção do “ser amado”, de respeitar o processo
de luto do outro, incapazes de seguir em frente. O eterno “fado do
desgraçadinho”. Eu, eu, eu … Ai coitadinho de mim, coitadinho que peninha tenho
de mim, dá cá mais uma garrafinha para afogar as mágoas, sou um pobrezinho sem
eira nem beira. Já me apetecia dar-lhe um belo par de chapadas, garanto que se
fosse a amada também juntava um belo par de patins.
Vale pela escrita que é excelente, mas não vou ler mais desta
série se perceber que mantêm o mesmo registo. Não há pachorra para estes
sofredores crónicos.


