quarta-feira, 3 de setembro de 2025

A Última Carta – Carlos Miguel Ferreira

 


Agora sim, estamos lá! Este livro foi para mim “O salto do gato” do Carlos como autor. Já tinha notado alguma evolução ao longo do livro anterior, “O regresso de Larry Miller” e este veio confirmar. A leitura é fluida, com ritmo, os personagens bem trabalhados criam empatia e foi conseguida uma maior profundidade emocional, o enredo é excecional, criativo e apelativo é difícil interromper a leitura. Mas tenho uma reclamação, deitei-me às 3h da madrugada por não conseguir parar de ler.

Este livro é um thriller à séria daqueles em que suspendemos a respiração e só a soltamos umas páginas à frente. Quanto ao final…não digo nada para não lhe tirar o suspense, só que é surpreendente.

O Carlos, neste livro, ganhou uma voz própria, e gosto muito disso, já não se nota aquele toque que foi inspirado no autor X ou Y, não que isso seja mau e todos os escritores devem ter as suas musas, mas também se devem tornar independentes e criar o seu próprio estilo de contar histórias.

Mais uma referência na leitura nacional com a bandeira do “quero mais”. Aguardo com expectativa um próximo livro.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

“Crónicas do Regicida” - Patrick Rothfuss



I - “O Nome do Vento” Patrick Rothfuss
Para quem procura uma viagem fantástica por mundos e povos imaginários convido a entrar na estalagem “Pedra do Caminho”, a passar algum tempo com Kvothe, o estalajadeiro, para conhecer sua peculiar história de vida. Desde a sua infância, na trupe da família, notava-se nele uma ansia por conhecimento e uma capacidade de aprendizagem prodigiosa que no futuro o conduzirá por caminhos mágicos, atos heroicos, outros nem tanto, cruzando-se com criaturas fantásticas e humanos no seu melhor e no pior.
É o primeiro livro da série “Crónicas do Regicida”. Não conhecia o autor e fiquei surpreendida com a sua escrita maravilhosa, melodiosa, quase poética e mantendo uma narrativa cativante que nos embala num limbo entre contos de fadas, Harry Potter e Guerra dos Tronos, elevados vários níveis acima em maturidade e qualidade literária.
Uma agradável surpresa num momento em que já tinha saudades de um bom livro de Fantasia. Vou continuar nesta vibração seguindo para o próximo livro da série “O Temor do Sábio”.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Os Crimes do Verão de 1985 – Miguel D’Alte

 


Mais um livro a somar aos thrillers portugueses e uma estreia com este autor.

Não vos sei explicar a razão, mas qualquer livro que se passe numa ilha chama por mim e nem sou fã de ilhas. Saber que estou rodeada de água causa-me uma sensação de estar com os movimentos limitados, de não poder sair a qualquer momento e isso aflige-me. Pancadas!

Uma boa surpresa, a premissa é sedutora e aguça a curiosidade. A escrita é de excelente qualidade muito bem estruturada, não deixa dúvidas nem pontas soltas. Os personagens são bem fundamentados. Mas faltou alguma coisa, talvez o ponto alto do enredo não fosse assim tão alto como expectava, foi morno quando esperava que fervesse. O culpado tornou-se previsível demasiado cedo, talvez por isso aquele “plot twist” não teve o impacto que esperava. No entanto não é por isso que deixa de ser um bom livro.

Também foi mais um livro daqueles que coloca jornalistas e escritores naquele trágico lugar emocional repleto de frustrações, depressões e vícios. É o terceiro ou quarto livro em que me deparo com este registo. Mas porquê? Parece que é sina, fado ou maldição de todos os escritores. Notei aqui alguma semelhança com João Tordo, o rei do drama.

De um modo geral achei um bom livro, mas com potencial para ser melhor.

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A Noite em que o Verão Acabou – João Tordo

 


Tanto para dizer sobre este livro, foi a minha primeira experiência com “thrillers” do João Tordo, porém, também a minha primeira questão foi “Onde está o thriller?”

Começou lindamente, dava-nos a promessa de um enredo envolvente, uma história cativante e cheia de mistérios, mas ao longo das páginas essa promessa foi sendo diluída perdendo o foco e a certos momentos quase deixada em segundo ou terceiro plano. A sensação que me transmitiu foi que o autor se perdeu em devaneios sobre outros assuntos, o que dispersa a atenção do leitor. Nunca demorei tanto tempo a ler um suposto thriller. Deste livro seria possível fazer 3: o thriller propriamente dito, uma história de amor à distância e um ensaio sobre o ofício da escrita. Por essa razão arrancava-lhe metade das páginas. Com esta salada de histórias, ficou um novelo de personagens na minha cabeça, já não sabia quem era quem, a que história pertencia, tinha de voltar atrás, fazer lista de personagens para perceber o que estava a ler.

Fiquei um bocado frustrada porque era constantemente “arrancada” da exploração inicial do mistério da família Walsh que era o que me interessava e levada para outros lugares com outras histórias paralelas que no final não se mostraram relevantes para praticamente nada. O ponto favorável é que o João Tordo escreve muito bem.

Há um tom exageradamente melodramático, até mesmo depressivo nas partes relativas à escrita e aos amores, para o qual tenho muito pouca pachorra. Só pode ser escritor que morre por dentro, é depressivo, bêbado, isolado do mundo, sem alegria na vida???!!! É o que parece. Quem é que se lembra de comparar uma viagem de avião para se voltar a reunir a família com a família com o “transporte de escravos no porão de um navio que atravessavam o oceano em séculos de miséria e doença” por favor, no mínimo um monumental exagero.

Resumindo: Tinha tudo para ser bom, mas não foi.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

“As sete Marias que matavam franceses” – Domingos Amaral

 


Mais um excelente livro de Domingos Amaral. Desta vez vamos às invasões Napoleónicas no nosso Portugal e do destemor histórico das mulheres portuguesas que avançam em defesa do que é seu com o que tiverem à mão. E não é lenda, é real muitas mulheres entraram na história por correr com os invasores, tal como a padeira de Aljubarrota. Até eu hoje, inspirada, encarnei uma “Maria” a correr com javalis do meu terreno. ;)

A escrita do autor nunca me desilude, tem o ritmo certo para a narrativa, é apelativa, simples sem ser simplista e os personagens são muito bem desenvolvidos. A base histórica para um romance de ficção é sempre muito enriquecedora. Tornou-se um daqueles autores que consumo apenas pelo seu nome na capa.

Triângulo - Pedro Garcia Rosado

 


Com o “Triângulo” termino a trilogia “Não matarás” de Pedro Garcia Rosado

Acompanhamos desta vez o inspetor Joel nos meandros da prostituição de luxo patrocinada e encoberta pelas mais altas esferas governamentais, entrosada com a pedofilia normalizada dentro de instituições religiosas. Teve um tempero de processo “casa Pia” que culmina na resolução do caso que inicialmente conduziu o inspetor a escolher esta profissão. Uma história dentro das histórias que constitui uma linha condutora ao longo da trilogia e que no último livro obtém a sua conclusão.

Gosto muito deste género de thriller/policial que nos confronta com problemas sociais, reais e atuais com os quais somos frequentemente confrontados nos noticiários.

Mais um autor nacional a manter “debaixo de olho”.

sábado, 21 de junho de 2025

A Cor do Hibisco - Chimamanda Ngozi Adichie

 


Que livro extraordinário, vai direitinho para o Top. Esta escritora Nigeriana leva-nos às profundezas sociais da Nigéria pelos olhos de Kimbili uma menina de 15 anos, de uma classe social privilegiada, mas numa família muito repressiva.

O que mais me chamou atenção neste livro foi a polaridade extrema quase irracional que existe constantemente durante a narrativa, enquanto alguns personagens em contraste mostram-nos o ponto de equilíbrio. A diferença entre ser simplesmente católico e ser fundamentalista religioso, usando as crenças como motivo de segregação. Sim porque na religião católica também existe fundamentalismo e é tão brutal como todos os outros. A dualidade: rico/pobre; tolerante/intolerante; fachada/realidade; amor/desamor são facetas muito bem exploradas ao longo do livro. Kimbili ao longo das suas vivências vai descobrindo os dois extremos conforme vai sendo apresentada ao outro lado.

Todos os ingredientes estão lá, um livro rico em conteúdo com uma escrita de excelência.

Recomendadíssimo!

A Última Carta – Carlos Miguel Ferreira

  Agora sim, estamos lá! Este livro foi para mim “O salto do gato” do Carlos como autor. Já tinha notado alguma evolução ao longo do livro a...