Tanto para dizer sobre este livro, foi a minha primeira
experiência com “thrillers” do João Tordo, porém, também a minha primeira
questão foi “Onde está o thriller?”
Começou lindamente, dava-nos a promessa de um enredo
envolvente, uma história cativante e cheia de mistérios, mas ao longo das
páginas essa promessa foi sendo diluída perdendo o foco e a certos momentos
quase deixada em segundo ou terceiro plano. A sensação que me transmitiu foi
que o autor se perdeu em devaneios sobre outros assuntos, o que dispersa a
atenção do leitor. Nunca demorei tanto tempo a ler um suposto thriller. Deste
livro seria possível fazer 3: o thriller propriamente dito, uma história de
amor à distância e um ensaio sobre o ofício da escrita. Por essa razão
arrancava-lhe metade das páginas. Com esta salada de histórias, ficou um novelo
de personagens na minha cabeça, já não sabia quem era quem, a que história
pertencia, tinha de voltar atrás, fazer lista de personagens para perceber o
que estava a ler.
Fiquei um bocado frustrada porque era constantemente “arrancada”
da exploração inicial do mistério da família Walsh que era o que me interessava
e levada para outros lugares com outras histórias paralelas que no final não se
mostraram relevantes para praticamente nada. O ponto favorável é que o João
Tordo escreve muito bem.
Há um tom exageradamente melodramático, até mesmo depressivo
nas partes relativas à escrita e aos amores, para o qual tenho muito pouca
pachorra. Só pode ser escritor que morre por dentro, é depressivo, bêbado, isolado
do mundo, sem alegria na vida???!!! É o que parece. Quem é que se lembra de
comparar uma viagem de avião para se voltar a reunir a família com a família com
o “transporte de escravos no porão de um navio que atravessavam o oceano em
séculos de miséria e doença” por favor, no mínimo um monumental exagero.
Resumindo: Tinha tudo para ser bom, mas não foi.
